quarta-feira, 20 de julho de 2011

caught in a bad romance





  Lady Gaga estava certa muito além de onde minha compreensão poderia ir. "I want your ugly, I want your disease. I want your everything as long as it's freeI want your love".
E a pergunta que não quer calar: Enquanto é de graça? Até quando é? Para mim, o limite se trata exatamente do estar bem/fazer bem. É complexo e exige uma reflexão não menos importante do que ele: o amor (ou paixão, ou atração, ou carência, ou inúmeros sinônimos efetivamente destinados a tal sentimento). Não há (aparentemente) explicação alguma capaz de esclarecer-me sobre determinados fatores que nos fazem bem-mal simultâneamente. É como dizem: "não há explicação para as coisas do coração". Reflito. Me pergunto. Que coração é esse? O coração que (achamos que) conhecemos, idealizado e responsável pelas emoções e tudo mais que relaciona-se (in)diretamente com os sentimentos. Talvez todo esse "mundo das idéias" seja resultado da cultura em que estamos inseridos - somada ao fato de não termos a opção de optar pela maneira que queremos "sentir" - : razão x emoção; respectivamente equivalentes ao cérebro x coração. Tem alguma coisa errada. O homem que pensa é o mesmo homem que sente (e a mulher também, quem sabe principalmente). Sendo assim, para continuarmos o raciocínio, pensemos o nosso ser como um só, que é o que na real, somos! De repente, o "até quando é de graça" seja uma analogia ao momento em que o amor próprio dá lugar à uma espécie de obsessão. É quando seguimos a incoerente lógica do 2 - 1 = 0, mesmo depois de anos e anos de prática (cabe a cada um a compreensão acerca de que tipo de prática). Enfim, refiro-me ao momento em que passamos a amar o outro ainda mais do que a nós mesmos. Acho que temos um problema.
O amor-próprio é ainda muito confundido com um sentimento egoísta, o que de fato, não condiz! Amor-próprio muito tem a ver com o respeito para consigo mesmo e a vontade de estar feliz, assim como numa progressão geométrica, e até mesmo mais saudável, pois, mais uma vez associando os sentidos, uma coisa está completamente ligada a outra. Uma vez que estamos bem "do coração", estaremos bem como um todo, vulgo corpo e alma. É claro que não compreendo o amor-próprio como idéia prepotente, tampouco auto-suficiente. Mesmo porque, segundo Jobim e Toquinho fundamental é mesmo o amor, é impossível ser feliz sozinho. Muitas vezes é do tipo de emoção que toma conta de nós só até o fim da música, mas se pararmos para, de fato, fazer uma análise, faz muito sentido, principalmente objetivando-nos à fazer do "ser feliz" algo dissociado a um foco permanente. Isto é, não existe apenas uma maneira para sermos felizes, muito menos uma única pessoa capaz de nos trazer tudo que precisamos só pelo fato de estar presente. A sua lista de prioridades deve ser constituída por:
1º - Você
2º - Você de bem com você
3º - Você e se pa, alguém (hahaha)
4º - Você e alguém, em sintonia com o sistema você-alguém
Não me refiro à sintonia das músicas da moda, nem da sintonia presente na relação das migas-falsas-fofas, mas sim à sintonia no sentido do equilíbrio entre dois alguéns. Aprendi muitas coisas nos dois últimos anos. A principal delas é que para nós, mulheres, quase sempre os detalhes são muito mais perceptíveis. Portanto, o melhor a fazer é tentar "desligar" em determinadas situações a sensibilidade excessiva, com o objetivo de não promover um desgaste pessoal, ou até num certo relacionamento. Dessa maneira, um dia, quem sabe, nos tornemos criaturas menos neuróticas. Outra coisa é que, em qualquer relação interpessoal, sobretudo amorosa, não importa o quão disposto um dos integrantes esteja a fazer com que dê certo, se o outro não estiver pelo menos determinado a "construir" isso conjuntamente, não vai dar! É como a história do "quando um não quer, dois não brigam". A notícia desanimadora: Quase sempre um não quer tanto quanto o outro. Não brigar nunca foi tão ruim. Evite medir atitudes como uma forma de comparação de esforços, sempre vai haver um momento certo para que você possa retribuir algo a alguém. Quem retribui, retribui algo, a alguém. Verbo transitivo. Transite dentro de si, porque nada além da clareza do que você sente, inclusive, por você mesmo, trará para você tanta paz como essa transição. Conheça você mesmo e verá o que te faz bem. Amar também é verbo transitivo. (Transite, mais uma vez!). Portanto, não feche as portas do seu "coração", como uma forma de defesa. Aprenda simplesmente que há certas coisas as quais deveríamos dar muito mais importância do que damos. Esforce-se para tal, mesmo que você só consiga ouvir uma parte da música: "I want your love. Love, love, love".

11 comentários:

  1. Ótimas palavras e muito bom o jeito de escrever. Você sabe unir os dois e transmitir uma linda mensagem :) continue assim, beijos da amiga que se orgulha disso!!

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  2. Tenho certeza que essa analogia não seria tão bem feita se tivesse sido escrita por outra pessoa! Você me supreende cada vez mais, sabia? Ah! e as portas do meu coração estarao sempre abertas pra você! kkkkkkk linda!

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  3. hahahaha assim como as minhas! "você retomou o elemento temático" ahahaha

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  4. Voce tem um talendo pra escrever inigualável! A cada dia que passa eu te adimiro ainda mais..
    Te desejo muito sucesso, amiga!
    beijos

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  5. "Fulano de tal" só vc mesmo!

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  6. Ótimo texto, parabéns! Amar é uma aventura das mais perigosas, é como andar numa corda bamba, e vendado, ainda por cima! O que não devemos esquecer é que, apesar de tudo conspirar para caírmos, a gente sempre pode levantar e tentar mais uma vez! O que realmente importa é tudo que aprendemos no trajeto...pra da próxima vez sabermos bem aonde estamos pisando...

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  7. Concordo plenamente..Ahhh, que belheza! Alguém que me entende! hahaha amei o seu texto! você e eu ainda brilharemos juntos!!! hahaha =***

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  8. muito bem escrito o texto cat!
    e o tema entao... amor ahahahah
    mt complicado mesmo.
    beijao Daniel

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  9. Cati, não sabia que você tinha esse talento! cada palavra caiu perfeitamente no texto, vá em frente que voce tem futuro :) beijo linda

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